Os orgulhosos Carolíngios

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Godofredo, o Senhor de Isenna. Imagem por Erison Silva.

—Como está a situação no Norte? – Godofredo perguntou ao monge. Sua expressão era severa. Se o homem não trouxesse notícias boas, talvez Isenna estivesse em perigo. As tropas de Carlos Magno, lideradas pelo senescal Eginhard, avançavam pela península, e se tomassem o caminho por Isenna, não haveria outra alternativa para eles se não lutar, ao menos não na visão insubmissa do senhor daquelas terras. Eram vassalos, não escravos.

—Meu Senhor, as tropas de Eginhard renunciaram à Pamplona, e se encaminham para os passos. – o velho monge Ataulfo disse, com voz ágil mas preocupada. — devo comunicar aos homens?

Godofredo levantou-se de seu trono senhorial, que não era mais do que uma cadeira de madeira, e olhou para fora. Da janela, o senhor via sentia a agradável brisa do verão nos Pirineus, que trazia mercadores do Andalus, bascos, francos, homens e mulheres de várias origens e aparências para comprar e vender. Via ainda, mais ao longe, os passos de montanha por onde as tropas carolíngias se encaminhariam. E perdido em seus pensamentos, quase esqueceu que o velho esperava uma resposta.

—Que venham os melhores homens. – respondeu-o.

 HISTÓRIA

Na época de Godofredo, Senhor de Isenna, os francos, liderados por Carlos Magno, viviam em constante disputa, às vezes entre si, mas especialmente contra povos vizinhos, como os Bascos no sudoeste e os saxões no leste. À época, todas estas disputas refletiriam nas áreas povoadas na fronteira do sul. Em 778, Carlos Magno lança uma campanha militar, colocando várias povoações sob suserania franca, como Barcelona, Huesca e Zaragoza, tendo no entanto sido derrotados em Roncesvalles, passo de montanha nos Pirineus.

A Dinastia Carolíngia, que despontou de uma família de Prefeitos dos Palácios e ganhou muito poder, dominou toda a Europa Centro-Ocidental nos Séculos VIII e IX, estendendo seu poder até a Floresta Negra no leste, até os Pirineus no sudoeste, onde frearam o avanço dos Califados Árabes de Al-Andalus, e para o sul, até Roma. Reconhecido como um forte aliado do Papa Leão III, oferecendo-lhe terras e tropas para que este último enfrentasse os seus inimigos dentro e fora de Roma, e fizesse frente ao poder de Constantinopla. Carlos Magno recebeu deste Papa o título de Imperator, da mesma forma que tinham sido coroados antes os líderes do Império Romano.

BIBLIOGRAFIA

LE GOFF, J. A civilização do Ocidente Medieval. v. 2. Lisboa: Editorial Estampa, 1995.

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