Caldeirão Furado

Em um campo bem próximo de Isenna, uma mocinha de não mais que 16 anos perambulava em volta de algumas borboletas que pairavam sobre as rosas que enfeitavam aquele lugar. Der repente, eis que surge uma figura estranha e encapuzada na parte escura, nas sombras das árvores que a rodeava. Agnela, a mocinha, nada fez, mas sentiu seu corpo tremer e engoliu em seco. Já tinha visto aquela coisa antes.

Naqueles dias, dizia-se ter uma bruxa ali por perto que costumava ir ao bosque buscar ervas e flores para a produção de seus encantamentos. Agnela, devota e singela, acreditara naquela história de imediato, mas não achou motivos para temer, já que diziam os mesmos boatos que a tal bruxa fazia “bons feitiços”.

Porém, ouviu em uma Missa, logo no tempo em que o boato se espalhou que não existia “boa magia”. Bem, isso ela também acreditava. Na verdade, Agnela sabia que existia algumas pessoas afeitas à essa prática esotérica, mas não temia, só não sabia exatamente como reagir a isso. Calmamente, saiu dali e buscou voltar para casa, mas nada comentou com ninguém.

Na Idade Média a visão sobre a bruxaria era de que era um mal praticado. Na verdade, entre os séculos VI e XII temos uma narrativa mais branda, de que magia não existia necessariamente, mas que algumas práticas ditas esotéricas poderiam, sim, serem feitas por pessoas de má vontade. A prática da magia vem desde o mundo antigo, e tanto na Grécia como em Roma, já era mal vista, porém as boa magia era tida como complemento aos esforços sociais e deveria ser praticada. Na vivência católica, a magia era sempre algo mau, pois não é particípio da cristandade. Mais tarde, a magia terá conotação demoníaca e serão acusados aqueles que dela se afeiçoarem de hereges e pagãos. Mas a práticwitch-picturea era vista algumas vezes nas cidades, mas nada muito chamativo, já devido o perigo que as bruxas corriam. Uma curiosidade é que as bruxas geralmente queriam fazer algo parecido com aquilo que chamamos de “poção do amor” realmente! Um encanto de paixão era geralmente o que se tinha. Outras azarações, como mudança de clima e controle de animais também são coisas que o modelo medieval de bruxaria acreditava ter. Engraçado, que, afinal, uma boa parte das pessoas acreditavam piamente nessas coisas.

Consegue enxergar uma herança desse mundo na sua realidade?

BIBLIOGRAFIA:

NOGUEIRA, Carlos Roberto Figueiredo: Mentalidade mágica e poder na cristandade ocidental. In. OLIVEIRA, Terezinha.org. Luzes Sobre a Idade Média. Maringá: Eduem, 2002.

Imagem: https://www.document.no/2016/09/14/listhaug-er-et-parti-for-seg-selv/

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